Primeiro ano do monitoramento qualitativo da biota aquática nos naufrágios Agenor Gordilho e Vega.

Hoje, 21 de novembro de 2021 completa 1 ano de afundamento do rebocador offshore Vega e do ferry boat Agenor Gordilho na baía de Todos os Santos. Neste período, nós da EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico em parceria com a Shark Dive Escola e Operadora de Mergulho fizemos mais de 62 mergulhos científicos, totalizando 53 horas,  com a finalidade de acompanhar em tempo real as fases de colonização destes naufrágios pela biota aquática.

Rebocador Vega enquanto afundava dia 21 de novembro de 2020 (Foto: Fagner Rodrigues)

Os naufrágios estão a aproximadamente 1,5km em frente ao costão rochoso do bairro da Vitória (Salvador, Bahia), entre 32m e 34,4m de profundidade máxima e distantes um do outro cerca de 500m.

Ao longo deste primeiro ano, foram coletados dados qualitativos da biota aquática utilizando métodos visuais de busca intensiva como o Roving Diving Census e censos estacionários com raio de 5metros.

Por conta da profundidade e complexidade das estruturas que exigem formação adequada para um mergulho em segurança, ainda mais quando se pretende fazer imersões por tempos superiores aos permitidos nas tabelas descompressivas do mergulho recreativo, todos os mergulhadores científicos envolvidos na coleta de dados possuem formação em mergulho técnico e científico, tais como o uso de misturas gasosas (em muitos dos mergulhos foram utilizados cilindros com EANx), uso de configuração em sidemount, qualificados para realizar penetrações complexas em ambientes overhead e habilitados para realizar procedimentos descompressivos.

Batigóbio (Bathygobius soporator) registrado no naufrágio do Rebocador Vega 48 horas após o afundamento do navio (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

FASE 1 : PRIMEIROS 50 DIAS

De 21 de novembro de 2020 a 11 de janeiro de 2021

Fauna incrustante e invertebrados móveis

Levaram poucos dias para o biofilme cobrir completamente os naufrágios. O biofilme é  uma espécie de película composta por um polímero viscoso produzido por microrganismos, em especial bactérias que formam sobre esta película colônias estruturadas.

Com o tempo outros organismos foram aderindo ao biofilme que passou a servir de base para a biota incrustante. Próximo de completar 50 dias afundados os primeiros organismos incrustantes a serem observados nos navios foram algumas esponjas e hidrozoários, e entre os invertebrados móveis pequenas aranhas-do-mar (Antopoda), alguns poucos caranguejos-aranha (Stenorhynchus seticornis) e alguns siris-bidu (Charybdis helleri) jovens, esse último uma espécie exótica invasora já bem comum na baía de Todos os Santos e curiosa e inexplicavelmente, todos os exemplares encontrados estavam mortos.

Na parte do casco que fica abaixo da linha d´água ambas as embarcações apresentavam uma grande quantidade de cracas (Cirripedia) e inclusive algumas delas se soltaram e caíram na areia no impacto do afundamento.

Ictiofauna

Com relação aos peixes logo no dia seguinte ao afundamento quando foram realizados os primeiros mergulhos nos navios quando foram registradas nove espécies de peixes no Agenor Gordilho, sendo elas: alguns poucos barbeiros (Acanthurus bahianus), outros poucos barbeiros-azuis (Acanthurus coeruleous), uma Maria-da-toca (Parablennius cf. marmoreus), algumas salemas (Anisotremus virginicus), algumas guaraiuba (Ocyurus chrysurus), alguns sargentinhos (Abudefduf saxatilis), alguns cromis-marrom (Chromis multilineata), algumas Marias-pretas (Stegastes fuscus) e dois ciliaris (Holacanthus ciliaris), e foram registradas quatro espécies no Vega, sendo elas três exemplares do batigóbio (Bathygobius soporator), dois do macaquinho-invasor (Omobranchus punctatus), uma biquara (Haemulon parra) e três sargentinhos (Abudefduf saxatilis).

Ao longo dos primeiros 50 dias diversas outras espécies foram sendo observadas nas estruturas dos navios. Ao todo 36 espécies de peixes foram registradas para o Agenor Gordilho e 22 para o Vega.

Dentre as espécies registradas as mais abundantes eram as espécies planctívoras como o xixarro (Decapterus macarelus) que formavam e ainda formam cardumes imensos por toda a área externa da estrutura dos navios e em todos os estratos de profundidade, inclusive na coluna d´água acima dos naufrágios. Os cardumes de xixarros eram tão numerosos que por vezes impediam que o mergulhador a uma certa distância conseguisse ver a estrutura do navio logo atrás dos peixes.

Outro planctívoro abundante eram as quatingas (Haemulon aurolineatum), também presentes por todos os estratos de profundidade, porém não só na área externa das estruturas, ocorrendo também nas áreas internas das embarcações, no entanto,  são menos abundantes que os xixarros.

Possivelmente, a presença destes peixes passou a atrair cardumes de sororoca (Scomberomorus regalis) e outros predadores de médio e grande porte como o badejo-quadrado (Mycteroperca bonaci), a caranha (Lutjanus cyanopterus) e o mero (Epinephelus itajara), especialmente no Agenor Gordilho.

Nesta fase inicial, começaram a aparecer os pequenos recrutas, cardumes de pequenos cromis-marrons (Chromis multilineata), barbeiros translúcidos (Acanthurus sp.), pequenos carangídeos (Carangidae), cardumes de minúsculos roncadores (Haemulon spp.) e pequenos linguados ainda com os olhos em lados opostos (Pleuronectiformes) foram observados nas estruturas dos naufrágios, assim como desova de sargentinhos (Abudefduf saxatilis), sugerindo tanto que as estruturas já estavam servindo de abrigo para larvas de peixes que vinham pelo plâncton quanto para a reprodução de espécies generalistas.

Exemplar de ariacó (Lutjanus synagris) nadando sobre o mar de hidrozoários no passadiço do ferry boat Agenor Gordilho em fevereiro de 2021 (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

FASE 2 : DIAS 51 a 90

De 12 de janeiro de 2021 a 21 de fevereiro de 2021

Fauna incrustante e invertebrados móveis

Nesta fase o biofilme já tinha sido completamente coberto por esponjas (Porífera), ascídias (Phallusia nigra), algumas cracas (Cirripedia), poliquetas-espanador (Sabellidae), crinoides (Crinoidea), os hidrozoários (Gymnagium longicauda, Macrorhynchia philippina e Sertularella sp.) organismos predominantes neste período que se encontravam por toda a estrutura externa dos navios e o briozoário-de-renda (Triphyllozoon cf. arcuatum), espécie exótica invasora que também se apresentava extremamente abundante em diversos pontos dos navios, tanto nas áreas externas quanto no assoalho das áreas internas.

Na parte mais profunda, dos 30m aos 32m (Vega) ou 34m (Agenor Gordilho) o octocoral carijoa (Carijoa riisei) dominou vastas áreas compartilhando este trecho dos navios com esponjas (Porífera) e com o hidrozoário (Sertularella sp.).

Com relação aos invertebrados móveis as aranhas-do-mar (Antopoda) aos poucos foram deixando de ser vistas, muito provavelmente por conta do aumento da complexidade do substrato, já os exóticos siris-bidu (Charybdis helleri) apesar de ainda serem encontrados muitos jovens mortos, alguns indivíduos foram registrados vivos. Os caranguejos-aranha (Stenorhynchus seticornis) continuam sendo observados e por todo o canto de ambos os navios e camarões-palhaço (Stenopus hispidus) passaram a ser registrados, inclusive fêmeas ovadas.

Ictiofauna

Nesta fase o número de espécies de peixes registrados para o Agenor Gordilho subiu para 52 e no Vega para 39.

Alguns dos peixes observados nos dias que seguiram o afundamento ou passaram a não ser mais vistos ou ficaram cada vez menos abundantes. O macaquinho-invasor (Omobranchus punctatus) sumiu, assim como o ciliaris (Holacanthus ciliaris), a Maria-preta (Stegastes fuscus) e a donzelinha (Stegastes variabilis), e o batigóbio (Bathygobius soporator) ficou muito menos abundante.

Somando-se ao xixarro (Decapterus macarelus) a sardinha (Harengula cf. jaguana) e a sardinha-de-laje (Opisthonema oglium) passaram a compor a fauna de planctívoros que formam cardumes enormes ao redor dos naufrágios.

Ainda nesta fase, além das sardinhas (Clupeidae) alguns peixes passaram a ser observados em cardumes cada vez maiores, como o ariacó (Lutjanus synagris) e a pescadinha-de-pedra (Odontoscyon dentex).

Pequenos peixes crípticos como o macaco (Malacoctenus spp.), o macaquinho (Ophioblennius trinitatis), as Marias-da-toca (Parablennius marmoreus, Parablennius pilicornis e Hypleurochilus pseudoaequipinnis) e o amboré-vidro (Coryphopterus glaucofraenum) passaram a ser observados também em maior abundância.

Outros predadores de médio e grande porte como as cavalas (Scomberomorus cavala), xaréus (Caranx hippos), barracudas (Sphyraena barracuda), bijupirás (Rachycentron canadum) e solteiras (Caranx crysos) também passaram a ser vistos ao redor dos naufrágios.

Neste período começaram a ser observados os primeiros recrutas de budiões-batata (Sparisoma axillare) e os barbeiros (Acanthuridae), espécies herbívoras até então pouco registradas passaram a ser mais frequentes.

Convés de automóveis do Agenor Gordilho coberto com areia (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

FASE 3 : DIAS 91 a 150

De 22 de fevereiro de 2021 a 21 de abril de 2021

Fauna incrustante e invertebrados móveis

No início deste período uma colônia de coral-sol (Tubastraea coccinea) foi registrada a 34.4m de profundidade no naufrágio do Agenor Gordilho, a colônia foi devidamente retirada e se intensificaram os esforços de monitoramento de todo o casco de ambos os navios com foco exclusivo nesta espécie e nenhuma outra colônia foi vista.

Mergulhos realizados em um período próximo nos pilares do terminal de Bom Despacho mostraram que esta área está infestada de coral-sol (Tubastraea spp.) e com o ferry boat Agenor Gordilho, antes de ser afundado passou mais de um ano ancorado neste terminal suspeita-se que esta colônia afundou já com o navio em meio às cracas (Cirripedia) que dominavam o caso na época.

Neste período a baía de Todos os Santos sofreu com fortes ventos, ressacas e muitos temporais o que acabou por depositar uma grande quantidade de areia nos assoalhos dos diversos níveis dos naufrágios, em especial no Agenor Gordilho onde em alguns trechos do convés de automóveis a areia formou camadas de mais de 8cm. Esta areia e os fortes ventos provavelmente  modificaram bastante a composição da fauna incrustante. Como exemplo, o briozoário-de-renda (Triphyllozoon cf. arcuatum) literalmente sumiu dos navios, os hidrozoários passaram a se concentrar nos gradis, nas bordas de portas, gaiutas e porões e em algumas outras áreas internas, não mais sendo observados sobre o assoalho que passou a ser dominado por um número maior de esponjas (Porífera) e por crinoides (Crinoidea), além da enorme quantidade de ascídias-negras (Phallusia nigra) em especial nas paredes internas. A esponja que acreditamos ser a esponja-criptogênica (Heteropia sp.) e que se limitava ao assoalho das embarcações também reduziu drasticamente, restando alguns poucos exemplares isolados.

Ictiofauna

O número de espécies de peixes registradas nos naufrágios pouco mudou neste período em relação ao período anterior, no Agenor Gordilho o número de espécies passou de 52 para 53 e no Vega de 39 para 40.

Nesta fase o ariacó (Lutjanus synagris) ficou mais abundante e alguns exemplares maiores passaram a ser observados, já os cardumes de xixarros (Decapterus macarelus) reduziram um pouco, porém continuam a ser os peixes mais abundantes dos naufrágios, e os cardumes de quatingas (Haemulon aurolineatum), de cromis-marrom (Chromis multilineata) e de pescadinha-de-pedra (Odontoscyon dentex) ficaram mais abundantes que na fase anterior.

Nesta fase também os budiões-batata (Sparisoma axillare), antes registrados como pequenos recrutas agora já estão maiores e mais abundantes, e os barbeiros (Acanthurus spp.) passaram a ser observados com mais frequência.

Situação da colonização das áreas internas do naufrágio do Agenor Gordilho em abri de 2021 (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

FASE 4 : DIAS 151 a 365

De 22 de abril de 2021 a 20 de novembro de 2021

Fauna incrustante e invertebrados móveis

Nesta  fase a fauna incrustante pouco difere da fase anterior, algumas colônias de hidrozoários dominam os gradis e as bordas de portas, portalós, gaiutas, porões e outras, as paredes e assoalhos apresentam-se colonizados por esponjas (Porífera) e crinoides (Crinoidea), além da enorme quantidade de ascídias-negras (Phallusia nigra) em especial nas paredes interna e o octocoral carijoa (Carijoa riisei) ainda domina vastas áreas abaixo da linha d´água dos navios compartilhando este trecho com esponjas (Porífera) e com o hidrozoário (Sertularella sp.).

Nenhuma das espécies incrustantes exóticas invasoras como o briozoário-de-renda (Triphyllozoon cf. arcuatum) e o coral-sol (Tubastraea spp.) foram registradas nesses 214 dias que compõem esta fase.

A camada de areia no assoalho dos conveses de automóveis não se alterou, ainda existem trechos com camadas de mais de 8cm, porém também os assoalhos internos, como o do salão de passageiros, estão cobertos por uma camada de areia.

Com relação aos invertebrados móveis algumas lagostas (Panulirus spp.) e pequenos camarões (família Penaeidae) passaram a ser observados nas áreas internas e sobre o navio, especialmente nos censos noturnos foram observadas algumas lulas (família Loliginidae).

Ictiofauna

Com relação aos peixes, neste período o aumento do número de espécies registradas para os naufrágios teve um crescimento moderado, passou de 53 para 63 espécies no Agenor Gordilho e de 40 para 55 espécies no Vega como pode ser visto nos gráficos que demonstram o crescimento da riqueza de espécies da ictiofauna nos novos naufrágios.

O destaque neste período foi para o aumento do número de budiões nos naufrágios, budiões-azuis (Scarus trispinosus) com mais de 50cm de comprimento foram observados em mais de uma ocasião no Vega, budiões-batata (Sparisoma axillare) tanto recrutas quanto intermediários são comuns em ambos os naufrágios e os recrutas de budiões-batata-sinaleiros (Sparisoma frondosum) e alguns intermediários também já são vistos em praticamente todos os mergulhos.

Um fato curioso é que no final de maio de 2021 um exemplar com mais de 50cm do peixe-porco (Aluterus scriptus) passou a ser observado em todos os mergulhos no Agenor Gordilho e desde meados de agosto de 2021 um exemplar semelhante da mesma espécie passou a ser observado em todos os mergulhos realizados no Vega. Inicialmente imaginávamos ser o mesmo indivíduo que transitava entre ambas as embarcações e coincidentemente estava sempre no naufrágio que visitávamos, porém após analisar uma filmagem realizada por uma operadora de mergulho durante um mergulho no naufrágio do Vega no mesmo dia e horário que estávamos mergulhando no Agenor Gordilho verificamos que se tratam de dois indivíduos distintos, da mesma espécie e de tamanhos bem semelhantes, um vivendo em cada um dos dois naufrágios.

Em julho de 2021 um exemplar macho de cavalo-marinho-de-focinho-longo (Hippocampus reidi) foi registrado na varanda de proa do salão de passageiros a aproximadamente 22m de profundidade.

Tanto a Maria-preta (Stegastes fuscus) quanto a donzelinha (Stegastes variabilis), espécies observadas desde o dia seguinte ao afundamento até que deixaram de ser registradas em meados de fevereiro de  2021, desde julho de 2021 voltaram a ser registradas em todos os mergulhos, especialmente no Agenor Gordilho.

Pomacantideos como indivíduos jovens do paru (Pomacanthus paru) também passaram a ser frequentes no naufrágio do Vega e nos últimos mergulhos um tricolor (Holacanthus tricolor) foi registrado no Agenor Gordilho.

Golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) fotografado durante um procedimento descompressivo após um mergulho no naufrágio do Agenor Gordilho em outubro de 2021 (Foto: Fagner Rodrigues)

MEGAFAUNA

Durante um procedimento descompressivo um grupo de golfinhos-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis) que segundo a tripulação da embarcação, durante todo o mergulho estavam pescando investindo nos cardumes de peixes que abundam nos naufrágios se aproximou do grupo permitindo ser observado e registrado.

Cardume de xixarro (Decapterus macarelus) no naufrágio do Agenor Gordilho, um dos peixes mais abundantes em ambos os naufrágios (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

ALGUMAS INFORMAÇÕES QUANTITIVAS DA ICTIOFAUNA

Apesar do foco principal ter sido o registro das espécies para entender quais delas chegam em quais momentos, se eram recrutas ou não, se houve desova ou não, etc. a forma que os dados foram coletados durante os mergulhos nos permite inferir a Abundância Relativa e a Frequência de Ocorrência.

Curva de acumulação de espécies nos naufrágios do Agenor Gordinho e do Vega durante os primeiros 12 meses após o afundamento

Com relação a Abundância Relativa, a partir deste período as espécies mais abundantes (muito abundantes – acima de 11 indivíduos/censo) no naufrágio do Agenor Gordilho foram a quatinga (Haemulon aurolineatum), seguindo pelo xixarro (Decapterus macarelus), pela sardinha (Harengula cf. jaguana), pela pescadinha-de-pedra (Odontoscyon dentex), pelos recrutas de roncadores (Haemulon spp.), pelo cromis-marrom (Chromis multilineata), pelo carapicu (Eucinostomus sp.) registrado sempre no fundo e pelo ariacó (Lutjanus synagris). Para o Vega o padrão praticamente se repete, exceto pelo ariacó que se apresentou menos abundante.

Dentre as espécies abundantes no Agenor Gordilho (entre 2 e 10 indivíduos/censo) se destacam a solteira (Caranx crysos), pelo sargentinho (Abudefduf saxatilis), pela salema (Anisotremus virginicus), pela guaraiuba (Ocyurus chrysurus), pela enxada (Chaetodipterus faber), pelo barbeiro-azul (Acanthurus coeruleous) e pelo bodião-batata (Sparisoma axillare). No Vega, as espécies abundantes foram o ariacó (Lutjanus synagris), a guaraiuba, a salema, o bodião-batata, o sargentinho e a Maria-da-toca (Parablennius marmoreus).

Todas as demais espécies registradas apresentaram no máximo um registro na média dos censos e, portanto, foram consideradas pouco abundantes.

Com relação a Frequência de Ocorrência (F.O.) as espécies Muito Comuns (F.O. entre 81% a 100%) no naufrágio do Agenor Gordilho foram o xixarro (Decapterus macarelus) e a salema (Anisotremus virginicus), e nenhuma espécie se apresentou muito comum para o Vega.

As espécies comuns (F.O. entre 51% e 80%) no Agenor Gordilho foram o jaguaraçá (Holocentrus adscensionis), a sardinha (Harengula cf. jaguana), o barbeiro-azul (Acanthurus coeruleous), a Maria-da-toca (Parablennius marmoreus), os recrutas de roncadores (Haemulon spp.), o sargentinho (Abudefduf saxatilis), o cromis-marrom (Chromis multilineata), a quatinga (Haemulon aurolineatum), o dentão (Lutjanus jocu), o ariacó (Lutjanus synagris), a guaraiuba (Ocyurus chrysurus), a Maria-preta (Stegastes fuscus) e a pescadinha-de-pedra (Odontoscyon dentex). Para o Vega as espécies comuns foram o xixarro (Decapterus macarelus), a salema (Anisotremus virginicus), os recrutas de roncadores, a quatinga, a guaraiuba, o sargentinho e a pescadinha-de-pedra.

A espécies consideradas ocasionais (F.O. entre 21% e 50%) no Agenor Gordilho foram o amboré-vidro (Coryphopterus glaucofraenum), o barbeiro (Acanthurus bahianus), o cirurgião (Acanthurus chirurgus), o macaquinho (Ophioblennius trinitatis), a borboleta (Chaetodon striatus), o carapicu (Eucinostomus spp.), a sororoca (Scomberomorus regalis), o peixe-porco (Aluterus scriptus), a biquara (Haemulon parra), o rufus (Bodianus rufus), o bodião-batata (Sparisoma axillare), o macaco (Malacoctenus sp.), a trilha (Pseudupeneus maculatus), a donzelinha (Stegastes variabilis), o micholé-de-areia (Diplectrum formosum) e o micholé-costeiro (Diplectrum radiale). Já para o Vega as espécies ocasionais foram o jaguaraçá (Holocentrus adscensionis), a sardinha (Harengula cf. jaguana), o batigóbio (Bathygobius soporator), o amboré-vidro, o macaquinho-invasor (Omobranchus punctatus), o cirurgião, o barbeiro-azul (Acanthurus coeruleous), as Marias-da-toca (Parablennius marmoreus, Parablennius pilicornis e Hypleurochilus pseudoaequipinnis), a borboleta, o jabú (Cephalopholis fulva), a biquara, o bodião-batata, o macaco, ), o dentão (Lutjanus jocu), o ariacó (Lutjanus synagris) e o cromis-marrom (Chromis multilineata).

As demais espécies foram classificadas como incomuns (F.O. entre 5% e 20%) ou raras (F.O. inferior a 5%).

Neon (Elacatinus figaro) espécie ameaçada registrada no naufrágio do rebocador Vega em fevereiro de 2021 (Foto: Bruno Lima de Menezes)

COM RELAÇÃO AS ESPÉCIES DA ICTIOFAUNA SOB ALGUMA CATEGORIA DE AMEAÇA

Dentre as espécies registradas, oito delas encontram-se sob alguma categoria de ameaça de acordo com a Portaria MMA nº445 de 17 de dezembro de 2017 que reconhece como espécies de peixes e invertebrados aquáticos da fauna brasileira ameaçadas de extinção aquelas constantes da “Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos”, seis delas classificadas como Vulneráveis (VU), uma como Em Perigo ou Ameaçada (EN) e uma como Criticamente em Perigo ou Criticamente Ameaçada (CR), todas elas proibidas de serem capturadas, transportadas, armazenadas e guardadas.

São as espécies Vulneráveis de acordo com a Portaria MMA nº445/2014: o neon (Elacatinus figaro), o badejo-quadrado (Mycteroperca bonaci), o bodião-batata (Sparisoma axillare), o bodião-batata-sinaleiro (Sparisoma frondosum), a caranha (Lutjanus cyanopterus) e o cavalo-marinho-de-focinho-longo (Hippocampus reidi).

A espécie classificada como Em Perigo ou Ameaçada pela Portaria 445/2014 é o bodião-azul (Scarus trispinosus) e a espécie classificada como Criticamente em Perigo ou Criticamente Ameaçada por esta mesma Portaria é o mero (Epinephelus itajara).

No que diz respeito a Portaria SEMA nº37 de 15 de agosto de 2017 que estabelece a Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção do Estado da Bahia as mesmas oito espécies classificadas como ameaçadas na Portaria MMA nº445/2014 encontram-se classificadas também classificadas sobre as mesmas categorias para a Portaria SEMA nº37/2017, exceto pelo bodião-bata-sinaleiro (Sparisoma frondosum) que se apresenta em situação pior no recorte estadual e está classificado como sendo uma espécie Em Perigo ou Ameaçada.

Em nível global três das espécies registradas estão classificadas sob alguma categoria de ameaça pelo The IUCN Red List of Threatened Species, duas delas como Vulnerável, a caranha (Lutjanus cyanopterus) e o mero (Epinephelus itajara) e uma como Em Perigo ou Ameaçada o bodião-azul (Scarus trispinosus), todas elas com diagnóstico de declínio para as suas populações.

Outras duas espécies registradas nas categorias de ameaça nacional e estadual, apesar de não estarem classificadas sob categoria de ameaça estão listadas na categoria de Quase Ameaçadas (NT) da IUCN e encontram-se também com o diagnóstico da sua população em declínio, são elas o badejo-quadrado (Mycteroperca bonaci) e o cavalo-marinho-de-focinho-longo (Hippocampus reidi).

O bodião-batata (Sparisoma axillare) e o bodião-batata-sinaleiro (Sparisoma frondosum) estão classificados como Dados Insuficientes ou Deficientes (DD) pela IUCN, ou seja, os dados científicos disponíveis para estas espécies, em especial os que estão relacionados ao status populacional é ainda insuficiente para a determinação de uma classificação de ameaça em nível global. Já o neon (Elacatinus figaro) ainda não foi avaliado pela IUCN.

Trecho do assoalho do salão de passageiros do ferry boat Agenor Gordilho repleto de colônia do bioinvasor briozoário-de-renda (Triphyllozoon cf. arcuatum) em fevereiro de 2021 (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

COM RELAÇÃO AS ESPÉCIES INVASORAS

Ao todo foram registradas quatro espécies invasoras para os naufrágios, sendo uma espécie de peixe (macaquinho-invasor, Omobranchus punctatus), um crustáceo (siri-bidu, Charybdis helleri), um briozoário (briozoário-de-renda, Triphyllozoon cf. arcuatum) e um coral (coral-sol, Tubastraea coccinea). Quando as ascídias-negras (Phallusia  nigra) começaram a surgir suspeitou-se devido ao tamanho que poderiam se tratar da espécie exótica Phallusia philippinensis, porém logo foi confirmado que se tratava da espécie nativa e essa suspeita foi eliminada.

Macaquinho-invasor (Omobranchus punctatus)

Esse pequeno peixe que pode medir até 10cm de comprimento é originário do Indo-Pacífico Ocidental e desde 2002 é conhecido para a baía de Todos os Santos onde é possível ser encontrado nas águas rasas de quase toda a sua extensão, especialmente na porção Norte e Noroeste da baía onde é encontrado próximo a áreas de manguezal e na desembocadura de rios.

Este pequeno peixe foi registrado apenas para o naufrágio do Vega, tendo sido um dos primeiros peixes a serem observados no naufrágio onde persistiu até fevereiro de 2021 quando o último exemplar foi registrado nas estruturas sumindo desde então. Todos os registros desta espécie no naufrágio se deram exclusivamente no assoalho do passadiço acima da casaria, a área mais rasa do navio onde a profundidade é em torno de 19m.

Considerando a profundidade do Vega, incompatível com a profundidade em que estes peixes são normalmente encontrados, acredita-se que o macaquinho-invasor tenha vindo entre os organismos incrustantes como as cracas (Cirripedia) no casco da embarcação e afundado com ele, já que durante algum tempo, durante o trabalho de limpeza dos resíduos de óleo da estrutura o rebocador ficou encostado em um cais na Ponta do Ferrolho, local raso onde este peixe é observado com alguma frequência.

Siri-bidu (Charybdis helleri)

Esse siri originário do Indo-Pacífico já é conhecido para a baía de Todos os Santos desde 1996 quando foi registrado na ilha das Fontes, município de São Francisco do Conde e hoje é amplamente distribuído por toda a baía, sendo a espécie de siri mais comumente observada durante os mergulhos.

Os registros nos novos naufrágios ocorreram desde os primeiros dias após o afundamento dos navios, porém no início apenas indivíduos jovens, com no  máximo 4,5cm de largura da carapaça eram encontrados e todos eles mortos, aos poucos alguns indivíduos vivos e ligeiramente maiores passaram a ser registrados, porém a quantidade de exemplares encontrados mortos é muito maior que o de exemplares encontrados com vida.

Esta é hoje a única espécie exótica invasora de fato que se encontra nos naufrágios, principalmente no Agenor Gordilho.

Briozoário-de-renda (Triphyllozoon cf. arcuatum)

O briozoário-de-renda é originário do Indo-Pacífico Ocidental e o primeiro registro na baía de Todos os Santos feito em 2007 e desde então alguns outros registros foram feitos, inclusive exemplares coletados nas estruturas de uma plataforma de petróleo no ano de 2014. Este organismo já foi registrado para os recifes da ilha dos Frades, para os recifes do Parque Natural Municipal Marinho da Barra e em alguns outros pontos da baía.

Nos naufrágios ele começou a ser registrado final e janeiro de 2021 e com menos de um mês já ocupava vastas áreas do costado de bombordo e do assoalho de diversos níveis (conveses de automóveis e salão de passageiros) do Agenor Gordilho e o convés do Vega, porém em abril de 2021, após fortes correntezas que carrearam grande quantidade de sedimento e depositaram no assoalho dos naufrágios e a ação de mergulhadores recreativos que arrancaram as últimas colônias este organismo sumiu dos navios e não mais foi registrado o que indica que a ação natural das correntezas aliada a um esforço braçal da comunidade do mergulho recreativo foi suficiente para controlar este organismo e impedir sua proliferação através destas embarcações.

Coral-sol (Tubastraea coccinea)

O coral-sol (Tubastraea spp.) é originário do Pacífico e é conhecido para a baía de Todos os Santos desde dezembro de 2007 quando foi registrado e coletado por Rodrigo Maia-Nogueira no naufrágio do Cavo Artemidi e desde então passou a ser registrado em diversos outros pontos da baía. Hoje são conhecidos mais de 40 pontos de infestação deste organismo em toda a baía, em sua maioria ambientes artificiais como piers e atracadouros, porém também é bem comum em recifes naturais. No que diz respeito aos naufrágios, dos mais de 20 naufrágios da baía de Todos os Santos, hoje ele só está presente e em dois deles, no Blackadder e no Ho-Mei No.III, e mesmo assim a abundância nestes recifes artificiais não é muito grande, ao contrário do que acontece nos naufrágios de Recife.

Nos novos naufrágios apenas uma colônia foi registrada em fevereiro de 2021 durante a realização de censos estacionários para ictiofauna no trecho mais profundo do naufrágio do Agenor Gordilho, a 34,4m de profundidade, quase na areia. A colônia foi então retirada e nenhuma outra foi registrada em nenhum dos navios desde então, estando, portanto, ambas as embarcações naufragadas, até o presente momento, livres deste coral invasor.

Considerando que o Terminal Marítimo de Bom Despacho na ilha de Itaparica, onde o Agenor Gordilho ficou atracado por mais um ano é um local de infestação de coral-sol (Tubastraea spp.), e considerando as dimensões da colônia que sugeriam que ela tivesse mais do que três meses de estabelecida na estrutura acreditamos que este organismo afundou junto com o navio e a sua remoção foi suficiente para conter a sua propagação nas estruturas.

Sabemos que o coral-sol (Tubastraea spp.) encontra-se amplamente distribuído na baía de Todos os Santos e que há a possibilidade ao longo dos anos, especialmente enquanto a comunidade bentônica destes recifes ainda não está bem definida de novas colônias destes corais se estabelecerem nas estruturas, porém, assim como já é feito constantemente em outros pontos como no naufrágio do Blackadder onde a quantidade de colônias já está bem reduzida e no naufrágio do Ho-Mei No.III, além de outros recifes naturais profundos no canal da baía a comunidade do mergulho recreativo estará de olho e pronta para remover auxiliando no combate e no controle desta espécie em nossas águas.

Parte dos petrechos de pesca recolhidos perdidos no Agenor Gordilho desde novembro de 2020 (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

A PESCA NOS NAUFRAGIOS

Desde os dias seguintes ao afundamento dos navios a pesca é realizada sobre as estruturas, em geral a pesca embarcada em pequenos saveiros e catraias utilizando linha e iscas artificiais, porém em algumas ocasiões foram observadas lanchas particulares de passeio pescando também com linha e há relatos de moradores das redondezas que especialmente na madrugada já foram registradas pescas criminosas utilizando explosivos na área dos naufrágios, porém não foram detectados danos na estrutura nem espécimes mortos no assoalho das embarcações ou no substrato marinho como ocorre no Blackadder.

Apesar da visita esporádica de apneistas que mergulham ao redor das estruturas dos naufrágios, ainda não foram registradas atividades de pesca submarina nos navios.

Desde o afundamento dos  navios mais de 40 iscas artificiais do tipo rapala ou jig foram encontradas presas nas estruturas, e no dia 18 de novembro de 2021 uma grande quantidade de cabos com anzóis foi encontrado enroscado no bombordo do Agenor Gordilho, provavelmente parte de um espinhel perdido. Nenhum animal foi registrado fisgado, nem nas iscas artificiais nem no espinhel fantasma.

Mergulho no naufrágio do Agenor Gordilho 48 horas após o seu afundamento (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

OBSERVAÇÕES DOBRE A VISITAÇÃO RECREATIVA E TURÍSTICA

Apesar do afundamento ter ocorrido em plena pandemia do COVID-19 em meio a restrições sanitárias que em boa parte do período restringiu as visitações turísticas à maioria das cidades do país além da atividade comercial recreativa, os números para o mercado do mergulho recreativo e turístico foram bem favoráveis.

No período entre o afundamento e o período de restrição a partir de março de 2021 diversos mergulhadores de outros estados do Brasil vieram a Salvador conhecer os novos naufrágios, inclusive grupos de turismo com diversos mergulhadores que fretaram embarcações para realizarem os mergulhos. Neste período as principais operadoras de mergulho de Salvador operaram tanto nos fins de semana quando durante a semana com mais de um mergulho em cada um dos naufrágios e sempre com as embarcações cheias.

A partir de março de 2021 as operações foram suspensas tendo iniciado novamente em agosto/setembro do mesmo ano, inicialmente com limitação na quantidade de pessoas, porém nos meses de outubro e novembro a maioria dos finais de semana estavam fretados por grupos de outros estados.

Durante todo o período sem restrições, entre o afundamento e março de 2021 e desde agosto/setembro do mesmo ano as embarcações naufragadas foram visitadas quase que diariamente por pelo menos uma das operadoras, em alguns dias, mais de uma vez por dia. No período restrito (entre março e agosto de 2021) apenas as equipes de pesquisa visitaram os navios.

Mergulho realizado no rebocador Vega 48 horas após o afundamento (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

AGRADECIMENTOS

Agradecimento especial a Igor Carneiro, Marcos de Paula, Bruno Lima Menezes e todo o staff da Shark Dive, sem o empenho destes nada teria acontecido.

Diversos mergulhadores e pesquisadores apoiaram de alguma forma a realização deste levantamento, seja com ideias a serem aplicadas na metodologia, revisões nos textos publicados até então no blog, fornecendo informações valiosas além de muitas fotografias e imagens em vídeos, ou simplesmente atuando como staff de apoio nos mergulhos realizados para a coleta de dados, em especial os amigos José de Anchieta Cintra da Costa Nunes, Fagner Rodrigues, Roberto Amarante Costa Pinto, Walter Andrade, Amanda Ercília do Nascimento e Paulo Henrique “Bomba”.

Mergulhadores técnicos explorando o naufrágio do Agenor Gordilho (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

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Autor(es)

Bruno Lima de Menezes
Instrutor de Mergulho at Shark Dive / EcoBioGeo | + Artigos

Bruno é mergulhador científica com habilitação em mergulho sidemount, intro to tech, nitrox e procedimentos descompressivos, além de instrutor de mergulho.
É também formado em ciências biológicas pela Universidade Católica do Salvador (UCsal) e foi pesquisadora do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática). Atualmente compõe a equipe de mergulhadores científicos da EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico e é um dos proprietários da Shark Dive Escola e Operadora de Mergulho.

Doroth Alves Cordeiro
Divemaster at Shark Dive / EcoBioGeo | + Artigos

Doroth é mergulhadora científica com habilitação em mergulho sidemount, intro to tech, nitrox e procedimentos descompressivos, além de formada em ciências biológicas pela Universidade Católica do Salvador (UCsal), foi pesquisadora do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática). Atualmente compõe a equipe de mergulhadores científicos da EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico e faz parte do staff da Shark Dive Escola e Operadora de Mergulho

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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