Baía de Todos os Santos, 520 anos de muitas histórias, estórias e causos

Hoje, 1 de novembro de 2021 a baía de Todos os Santos comemora 520 anos desde que foi batizada por Américo Vespúcio, em comemoração vamos conhecer um pouco da história desta magnífica e imponente baía, algumas estórias e alguns causos.

O batizado da baía de Todos os Santos

Em 13 de maio de 1501 partia de Lisboa, a serviço do rei D. Manuel I de Portugal, a frota de três naus comandada por Gonçalo Coelho, trazendo a bordo Gaspar Lemos, que comandou umas das caravelas da frota de Pedro Alvares Cabral em 1500, e o cartógrafo Américo Vespúcio com destino às terras do novo mundo, em especial às terras ao sul do Equador, cujo objetivo era investigar as potencialidades econômicas e explorar as terras recém apossadas por Portugal, sendo uma das funções de Vespúcio descrever e batizar pontos estratégicos.

A frota chegou na costa brasileira no dia 28 de maio de 1501 no extremo leste do território brasileiro, onde hoje está situado o estado do Rio Grande do Norte, ao qual deu o nome de Cabo de São Roque e seguiram viagem rumo ao sul, quando avistaram um promontório no território onde hoje está situado o estado de Pernambuco e o batizaram com o nome de Santo Agostinho, sempre atribuindo ao ponto geográfico o nome do santo do dia conforme calendário litúrgico.

Em 1 de novembro de 1051, a exatos 520 anos atrás a frota chegou à costa de onde hoje está situado o estado da Bahia e avistou uma enorme baía à qual, seguindo o calendário litúrgico, batizou como baía de Todos os Santos, um nome que encaixava perfeitamente para a baía quando comparado aos nomes de batismo de outros pontos geográficos dada a magnitude da imensa baía com seu relevo acidentado, inúmeras ilhas, colinas, mata exuberante, com a desembocadura de grandes rios, com enseadas de águas calmas e abrigadas que proporcionavam o fundeio seguro de embarcações. Esses elementos descritos por Vespúcio fizeram com que Tomé de Souza, ao ser nomeado Governador Geral do Brasil em 1549, decidisse fundar às suas margens a cidade que seria a primeira sede da colônia portuguesa, Salvador, berço da civilização brasileira, onde esteve situado no século XVI o maior porto exportador do hemisfério sul e por onde escoavam para a Europa não só o açúcar brasileiro e os outros itens aqui produzidos, como também a prata boliviana e a produção de outras colônias sul-americanas.

Antes do desembarque, da tomada de posse e da colonização portuguesa os povos originários da baía de Todos os Santos eram representados pelos índios Tupinambás que chamavam a grande baía de Kirimurê, cujo significado é “grande mar interior”

Durante muitos séculos foram os portos da Baía de Todos os Santos que receberam a maior parte dos escravos traficados da África para o Novo Mundo e em especial para a lida forçada nos muitos engenhos de cana-de-açúcar, que desde 1555 se instalaram nas margens da imensa baía e no baixo curso do rio Paraguaçu, o maior e principal rio que desagua na baía de Todos os Santos. Foram esses engenhos que deram origem a uma infinidade de quilombos, que por sua vez deram origem a grande parte das comunidades pesqueiras da região, sendo essencial para a definição do atual perfil cultural e artístico da região.

As Batalhas Sangrentas da Baía de Todos os Santos

Desde o período colonial, em seus 520 anos de história a baía de Todos Santos passou por sangrentas batalhas na defesa do território

Em dezembro de 1599 a Holanda tenta pela primeira vez conquistar Salvador, foram quase dois meses de ataques incessantes com o afundamento de várias embarcações importantes de Portugal e saques nos engenhos da baía de Todos os Santos, porém sem conseguir invadir a cidade. Em 1604 houve nova tentativa que também resultou em fracasso. Ter o controle sobre Salvador era importantíssimo para a Holanda, já  que a cidade era considerada uma das mais importantes e estratégicas para o comércio mundial, então em 09 de maio de 1624, uma esquadra holandesa de 26 navios comandada por Jacob Willekens finalmente consegue aportar na Barra, destruir os canhões da Ponta do Padrão e seguir para o centro da cidade aprisionando o então Governador do Brasil Diogo de Mendonça Furtado, ficando a região sob o comando da Holanda até 1627, quando uma armada luso-espanhola chegou à Bahia e após 40 dias de muita batalha conseguiu expulsar os holandeses.

Ainda em 1624, ates da invasão Holandesa, o corsário Piet Heyn com sua frota de 34 navios de guerra, dentre os quais o Hollandia, atacou a Bahia, saqueou a cidade de Salvador e apoderou-se de quinze barcos portugueses. Em 1627 Heyn e sua frota resolveram atacar novamente Salvador, porém não obtiveram o mesmo sucesso e a sua embarcação, o Hollandia acabou cercada e atacada pelos navios portugueses Capitânia e Almiranta, que após mais de 500 furos de balas de canhão acabou sendo incendiado pelo capitão e indo à pique.

Em 1638 os holandeses sob o comando de Maurício de Nassau tentaram novamente tomar para si o controle da cidade de Salvador, chegaram a desembarcar no subúrbio da cidade, porém foram surpreendidos no Santo Antônio Além do Carmo onde foram novamente derrotados.

Em 1648, enquanto os holandeses estavam sendo derrotados na batalha dos Guararapes a frota holandesa do almirante Witte Corneliszoon de With, formada por 8 belonaves de guerra, dentre as quais o galeão Huys Van Nassu e o galeão Utrecht, entrou em batalha, próximo a Caixa Pregos na ilha de Itaparica contra a esquadra portuguesa que trazia a bordo o novo Governador do Brasil, D. Antônio Teles de Meneses. As embarcações portuguesas dispersam, porém, a nau Nossa Senhora do Rosário acabou sendo alcançada pelos galeões Utrech e Huys Van Nassau, que se posicionaram um em cada bordo da nau portuguesa e abriram fogo. Para não se render, o Frei Pedro Carneiro, que estava no comando do Nossa Senhora do Rosário, ateou fogo em barris de pólvora explodindo o próprio navio e os galeões inimigos, o Utrecht e o Nossa Senhora do Rosário afundaram ali mesmo no local da batalha, já o Huys Van Nassau conseguiu chegar até a praia de Aratuba onde encalhou e a tripulação acabou sendo capturada e devorada pelos índios.

A nau Nossa Senhora do Rosário no fogo cruzado entre os galeões Utrech e Huys Von Nassau

Apenas no banco da Panela, um enorme banco de areia em frente o porto de Salvador, entre 1624 e 1649, em torno de 160 embarcações estiveram envolvidas em batalhas navais e boa parte delas naufragou sobre o banco.

Uma das enormes âncoras que evidenciam a presença de vários naufrágios sobre o banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Em 29 dezembro de 1812, período de guerra entre os Estados Unidos da América e a Inglaterra,  as fragatas estadunidenses USS Hornet e USS Constituition patrulhavam a barra a Baía de Todos os Santos no intuito de capturar a embarcações de guerra inglesas que estivessem em águas brasileiras quando entraram em batalha contra a fragata inglesa HMS resltando na derrota da embarcação inglesa.

Nos conflitos que sucederam desde a Proclamação da Independência do Brasil por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822 até que de fato ela ocorresse, muitas batalhas foram travadas, uma delas foi a batalha de Itaparica, em janeiro de 1823, nos territórios da ilha de Itaparica e nas águas da baía de Todos os Santos, triunfo fundamental para a vitória brasileira na guerra da independência. Esta guerra teve como personagem marcante a heroína Maria Felipa de Oliveira, mulher negra que liderou um grupo de mulheres contra os portugueses incendiando inúmeras embarcações e consequentemente reduzindo o poderio bélico dos colonizadores.

O ciclo da “pesca” de baleia ou ciclo das armações

As primeiras armações baleeiras do Brasil foram instaladas na baía de Todos os Santos por volta de 1602, quando os estoques das baleias do Golfo da Gasconia já estavam em declínio avançado por conta da captura excessiva pelos Bascos e neste período havia muitas baleias na costa baiana, inclusive no interior da baía onde a captura era realizada em botes a remo utilizando arpões manuais. As baleias arpoadas eram então puxadas até a praia onde eram “retalhadas”.

A captura de baleias foi uma das atividades econômicas mais rentáveis na região da baía de Todos os Santos até meados do Século XVII, quando as suas populações começaram a entrar em declínio e então as armações começaram a migrar para a região de Cabo Frio (RJ) e Santa Catarina (SC).

As baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) foram alvo por muitos anos no ciclo das Armações da caça a baleias na baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

A baía de Todos os Santos no Século XX

A partir da década de 1930 a descoberta do petróleo impulsionou o crescimento industrial da baía de Todos os Santos, crescimento que teve o seu auge nas décadas de 1960 e 1970 com a implementação do desenvolvimento petroquímico como modelo de desenvolvimento econômico do estado, movimento que trouxe diversas mudanças para a baía com impactos positivos na economia, porém com graves consequências ambientais, às quais se somam os impactos da indústria extrativista (calcário), indústrias de transformação (Centro Industrial de Aratu – CIA), Polo Petroquímico de Camaçari, indústrias automobilísticas entre outras, além da implementação de fazendas de carcinicultura.

Em paralelo a todo esse desenvolvimento houve a expansão do turismo na baía de Todos os Santos com a implantação do sistema aquaviário BA001/Sistema Ferry Boat, que faz a ligação da cidade de Salvador com a ilha de Itaparica, seguido pela construção de marinas públicas e privadas, entre outros aparelhos turísticos.

O mergulho na baía de Todos os Santos

O mergulho na baía de Todos os Santos é praticado desde as décadas de 1960 e 1970, tendo passado pelo período da exploração dos naufrágios (período em que a Marinha do Brasil ainda permitia tal atividade) e posteriormente pela implementação do mergulho recreativo, a partir da década de 1990.

A primeira escola e operadora de mergulho de Salvador foi a Submariner, que tinha sede no Rio Vermelho mas que fazia suas saídas tanto na costa Atlântica quanto na baía de Todos os Santos. Em 1992 foi fundada a Bahia Scuba, em 1994 a Underwater, em 1995 a Dive Bahia e a partir de então diversas outras escolas e operadoras de mergulho foram surgindo, algumas se fundiram e outras simplesmente deixaram de existir. Estiveram presente no mercado do turismo de mergulho da baía de Todos os Santos além da Submariner, da Bahia Scuba, da Underwater e da Dive Bahia, a Salvador Dive, a Seac Sub/Isola Bella, a Yá Scuba, a Aquatech, a Sea View, o Necton Sub, o Projeto Galeão, a UWBahia, a Águas Abertas, a Shark Dive, a Submerso, o Galeão Sacramento, Rebello Mergulho e a Azimuth Sub, destas estão atuantes hoje a Bahia Scuba, a Dive Bahia, a UWBahia, a Águas Abertas, a Shark Dive, a Submerso, o Galeão Sacramento, Rebello Mergulho e a Azimuth Sub.

A baía de Todos os Santos abriga a maioria dos 20 naufrágios históricos e mergulháveis da costa soteropolitana, além de recifes de coral, costão rochoso, bancos de areia cobertos de corais mole, recifes artificiais centenários e muita história, tudo isso com pontos de mergulho a menos de 15 minutos de navegação ou mesmo acessíveis pela praia. É possível encontrar na baía de Todos os Santos naufrágios a 5m de profundidade em locais de água cristalina que ultrapassam os 20m de visibilidade horizontal no verão, naufrágios a 30m ou mais para a prática do mergulho técnico, recifes profundos com 45m ou mais de profundidade e uma das mais ricas biodiversidades do país.

Em 21 de novembro de 2020 duas grandes embarcações foram naufragadas para o fomento do turismo de mergulho na baía de Todos os Santos e, apesar de a pandemia de COVID-19 ter dificultado a formação de grupos de turismo para conhecer estes naufrágios, a procura foi tão grande que desde o final do mês de setembro deste ano, em praticamente todos os finais de semanas, as operadoras de mergulho estão com suas embarcações fretadas por grupos de outros estados do país ou praticamente lotadas com mergulhadores locais até 2022.

O ferry boat Agenor Gordilho recém naufragado na baía de Todos os Santos em novembro de 2020 (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Salvador e a baía de Todos os Santos configuram o maior, melhor, mais diversificado e mais bem preparado destino de mergulho do país.

Os estudos ambientais e a biodiversidade da baía de Todos os Santos

Desde o final da década de 1970 os estudos de caracterização e análises ambientais se intensificaram na baía de Todos os Santos inicialmente tendo uma maior concentração na aréa dos estudos sedimentológicos e de caracterização do leito marinho e aos poucos os estudos sobre a biota e a oceanografia física foram sendo implementados.

A baía de Todos os Santos possui uma área de 1.223km² com profundidade média em torno de 9,8m, porém apresentando áreas com mais 50m de profundidade. A temperatura da água no interior da baía varia entre 24ºC e 26ºC nos meses mais frios a 29ºC a 31ºC nos meses mais quentes.

A baía de Todos os Santos, situada na costa Leste brasileira, área de maior biodiversidade do Atlântico Sul e que apresenta a maior quantidade de espécies endêmicas do Brasil.

Para a baía de Todos os Santos, são conhecidas hoje através de publicações científicas pelo menos 25 espécies de esponjas, mais de 56 espécies de cnidários (medusas, anêmonas, hidrozoários, ceriantos, corais-mole, gorgônias, corais-pétreos), mais de 256 espécies de peixes ósseos, por volta de 70 espécies de elasmobrânquios (tubarões e raias), 4 espécies de tartarugas-marinhas e pelo menos 17 espécies de cetáceos, além de uma infinidade de espécies de briozoários, polichaetas, echinodermos (estrelas-do-mar, pepinos, ouriços), moluscos, crustáceos e ascídias.

Os magníficos e majestosos corais-casca-de-jaca (Montastraea cavernosa) no recife da Boa Viagem, baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

 

Apesar de possuir uma rica biodiversidade nativa nos últimos anos a baía de Todos Santos vem sofrendo com a introdução de espécies exóticas invasoras como o sirí-bidu (Charybdis helleri) que compete pelo espaço com espécies nativas de siri, como os pequenos blênio-das-ostras (Omobranchus punctatus) e Butis koilomatodon (que ainda não tem nome popular local) cujos impactos da invasão ainda não são avaliados, o briozoário-de-renda (Triphyllozoon arcuatum) que timidamente vem se espalhando pela baía, a esponja (Heteropia sp.), duas espécies de coral-sol (Tubastraea coccinea e T.tagusensis) e mais recentemente duas espécies de coral-mole, o coral-azul e o coral-marrom cujas espécies ainda estão sendo analisadas.

Colônias do briozoário-de-renda (Triphyllozoon arcuatum), espécie invasora, no casco do naufrágio do ferry boat Agenor Gordilho (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Apesar de algumas destas espécies estarem presentes na baía de Todos os Santos a mais de 10 anos, muito pouco foi feito de fato para o combater as invasões, na maioria dos casos os focos se concentraram na realização de experimentos e em tentativas pontuais de monitoramento e no controle.

O caso específico do coral-sol na baía de Todos os santos

No caso específico do coral-sol, este foi observado pela primeira vez na baía de Todos Santos pelo mergulhador e pesquisador Rodrigo Maia-Nogueira no dia 27 de dezembro de 2007 em um mergulho duplo realizado no naufrágio do cargueiro grego Cavo Artemidi a cerca de 5 milhas náuticas da entrada da baía de Todos os Santos ocupando uma pequena chapa no bombordo da embarcação, algumas colônias foram removidas e foram trocadas informações com alguns outros pesquisadores para a confirmação da espécie.

Coral sol fotografado 27 de dezembro de 2007 no naufrágio do cargueiro grego Cavo Artemidi, dia em que foi descoberto na baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Durante 5 anos este naufrágio que configurava a maior atração do mergulho em Salvador e, portanto, era visitado quinzenalmente por todas as operadoras de mergulho da época, sem falta, e como sempre havia algum pesquisador embarcado a infestação no Artemidi era facilmente monitorada, sem muito alarde porque felizmente o coral invasor não se alastrava por outras áreas do naufrágio, se concentrou nas mesmas chapas.

Em 2012 foi descoberto um segundo ponto de infestação destes corais, desta vez se tratava do recife dos Cascos, um recife natural localizado na saída da baía de Todos os Santos à altura de Caixa Pregos na ilha de Itaparica, desta vez o recife estava infestado pelo coral invasor. Este novo registro ligou o alerta e incursões pelos diversos naufrágios e outros tipos de estruturas artificias foram empregadas para identificar focos de infestação ainda desconhecidos. O coral-sol foi então encontrado em diversos piers e em piers flutuantes por toda a baía.

Foi então criada uma coalização envolvendo a Organização Pró-mar, o Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática), a Universidade Federa da Bahia (UFBA) através do Laboratório de Poríferas, a Universidade Federal do Alagoas e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro através do Projeto Coral-Sol. Diversos mergulhadores e pesquisadores foram capacitados e foram feitos alguns mergulhos para a remoção do coral-sol no recife dos Cascos, em paralelo foi elaborado um relatório diagnóstico da situação e cartas solicitando apoio e as autorizações pertinentes dos órgãos ambientais para atacar o problema. A burocracia emperrou a adoção de ações emergenciais dividindo opiniões entre as instituições membro da coalizão que acabou sendo desfeita.

Algumas das instituições envolvidas passaram a promover por conta própria ações de remoção, porém sem o apoio das demais instituições a força de trabalho não foi suficiente para controlar a invasão. Em paralelo diversos experimentos foram empregados para a compreensão dos impactos destes organismos sobre a biota nativa, porém sem uma aplicabilidade de fato no combate. Os anos se passaram e hoje temos coral-sol em mais de 45 pontos diferentes da baía de Todos os Santos, alguns deles recifes naturais localizados em profundidades superiores a 30m com registros da espécie em até 45m de profundidade em dois pontos distintos.

Coral-sol em um recife profundo no interior da baía de Todos os Santos, entre 31m e 35m de profundidade (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Estudos recentes demonstram que a remoção sistemática é eficiente para eliminar o coral-sol em um ponto específico, o que significa que uma soma de esforços ainda pode fazer a diferença, porém além das ações realizadas pela Organização Pró-Mar, pela EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Cientifico e por ações pontuais promovidas por algumas das operadoras de mergulho recreativo não existem movimentos nesse sentido.

Foto do coral-marrom, espécie invasora que apesar de não ter um avanço exponencial está presente em pelo menos dois recifes naturais da baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Em 2018 duas novas espécies de coral invasoras foram descobertas, o coral-azul e o coral-marrom, ambas no Porto da Barra, o coral-marrom aparentemente não tem uma grande eficiência em se alastrar, porém o coral-azul avança rapidamente e já ocupa uma vasta área na entrada da baía alterando visivelmente a composição bentônica dos recifes. Assim como aconteceu para o coral-sol, nenhum esforço é empregado para o combate a esta invasão.

O coral-azul, espécie invasora que vem se alastrando rapidamente pelos recifes costeiros da Barra, baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

 

Além destas histórias, estórias e causos existe muito mais sobre a gigante baía da Bahia, sobre o seu povo, sobre seus saveiros, sua religiosidade …. A baía de Todos os Santos é magnífica, gigante, repleta de riquezas e de possibilidades, possui uma importância história enorme para a formação da cultura brasileira, mas precisa ser mais bem cuidada, ela merece.

 

FONTES

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

About Rodrigo Maia-Nogueira

Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância. Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições. Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI. Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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