A Tartaruga-de-pente

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata)

  • Classe: Reptilia
  • Ordem: Testudines
  • Família: Cheloniidae
Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) fotografada próximo ao naufrágio do Maraldi, Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DESCRIÇÃO

A Tartaruga-de-pente que mede até 110cm de comprimento curvilíneo e pesa em média 85kg não é a maior das Tartarugas-marinhas.

O casco da Tartaruga-de-pente na porção superior apresenta uma cor marrom avermelhada com detalhes amarelados. Este casco é composto por quatro pares placas laterais que se sobrepõem como se fossem telhas arrumadas em um telhado. A borda do caso apresenta um formato serrilhado bem nítido. A parte inferior, denominada plastrão, apresentam uma coloração branco amarelada.

A cabeça da Tartaruga-de-pente é relativamente pequena quando comparada com a cabeça de outras espécies de tartarugas e como característica, além de um bico córneo bem destacado e estreito que se assemelha ao de uma ave de rapina (detalhe que lhe rendeu o nome popular em inglês Hawksbill cuja tradução livre seria bico-de-falcão). As nadadeiras dianteiras (peitorais) da Tartaruga-de-pente são relativamente grande e apresentam duas unhas (garras).

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) fotografada próximo na baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

BIOLOGIA

A Tartaruga-de-pente parece preferir águas calmas e rasas na zona costeira, porém também podem ser encontradas em áreas mais profundas de até 54m.

A dieta da Tartaruga-de-pente é baseada especialmente em esponjas da classe Demospongiae, porém ela também se alimenta de lulas, além de águas-vivas (incluindo a Caravela-portuguesa Physalia pysalus) e anêmonas. Ocasionalmente ela preda pequenos camarões que captura utilizando o seu bico estreito nas fendas dos recifes costeiros e algas. Apesar de possuir uma dita bem especializada a Tartaruga-de-pente, assim como todas as demais tartarugas são oportunistas e podem se alimentar de uma infinidade de outros organismos nectônicos, o que favorece que elas acidentalmente comam resíduos sólidos antropogênicos e sofram as consequências destas ingestões.

Como as demais tartarugas-marinhas a Tartaruga-de-pente é ovípara, chegando a postar em média 120 ovos por ninhada. No Brasil são registrados em torno de 2.200 ninhos de Tartaruga-de-pente por temporada, sendo as praias do litoral da Bahia, de serpe e do Rio Grande do Norte as preferidas para a postura.  A maturidade sexual é atingida entre os 14 e 25 anos de idade.

Assim como as demais espécies de tartarugas, as Tartarugas-de-pente são longevas, porém por conta da sua longevidade o seu desenvolvimento e crescimento é lento e a sua maturação é tardia, tornando a espécie bastante vulnerável.

A predação é comum em todas as fases da vida das tartarugas-de-pente, os ovos são predados por diversas espécies de mamíferos de médio porte, tais como os cães domésticos e as raposas; já os filhotes recém nascidos são alvos fáceis de aves-marinhas e até mesmo de caranguejos no seu trajeto entre o ninho e a água; já na água são presas fáceis dos grandes peixes carnívoros, em especial o Mero (Epinephelus itajara), além dos badejos e garoupas das famílias Epinephelidae e Serranidae; e os exemplares jovens e adultos são predados especialmente por tubarões.

Boa de fôlego a Tartaruga-de-pente é capaz de ficar pelo menos algo em torno de 40 minutos sem respirar. A capacidade de apneia da Tartaruga-de-pente varia de acordo com a idade, a profundidade, a temperatura do ambiente e mesmo o objetivo do mergulho, podendo tanto ficar longos períodos submersa como já foi dito, quanto fazer imersões de 1 ou 2 minutos e subir para respirar.

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) fotografada próximo na falha do Cretino (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DISTRIBUIÇÃO

A Tartaruga-de-pente é cosmopolita e está distribuída entre os mares tropicais em algumas regiões subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.

No Brasil a Tartaruga-de-pente pode ser observada em praticamente todo o litoral, sendo o litoral da região Nordeste a área que se apresenta em maior concentração.

A Tartaruga-de-pente é comum na baía de Todos os Santos. É praticamente impossível mergulhar no Porto da Barra e não ver pelo menos um exemplar jovem da espécie por lá. Elas também são vistas nos naufrágios da região e nos pontos profundos, como na falha do Cretino onde não são raros os encontros de exemplares descansando sob cavidades no recife a mais de 30m de profundidade.

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) fotografada na praia do Porto da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

STATUS DE CONSERVAÇÃO

A Tartaruga-de-pente é classificada como Criticamente em Perigo tanto pela IUCN quanto pelo Ministério do Meio Ambiente.

Apesar da pesca de tartaruga ser proibida, as Tartarugas-de-pente são facilmente capturadas em redes de espera ao longo de todo o litoral brasileiro e como de tempos em tempos elas precisam subir à superfície para respirar, uma vez emalhadas em uma rede de espera elas não conseguem subir e morrem afogadas.

Outra grande ameaça às Tartarugas-de-pente é a ingestão acidental de resíduos sólidos antropogênicos.

Devido à beleza dos padrões das placas no seu casco, no passado esta espécie era capturada com fins ornamentais. Com o seu caso se produziam pentes (daí a origem do seu nome popular), ornamentos de fivela de cintos, calçadeiras, etc.

Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) fotografada na praia do Porto da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
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Autor(es)

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

About Rodrigo Maia-Nogueira

Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância. Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições. Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI. Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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