A Caravela-portuguesa

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

Caravela-portuguesa (Physalia physalis)

  • Filo: Cnidaria
  • Classe: Hydrozoa
  • Ordem: Siphonophorae
  • Família: Physaliidae
Caravela-portuguesa (Physalia physalis) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DESCRIÇÃO

A Caravela-portuguesa é um animal colonial composto por organismos diferentes chamados pólipos.

A primeira estrutura a chamar atenção em uma Caravela-portuguesa é a sua “bolha” (pneumatóforo) transparente com tons geralmente azulados mas pode ser também rosado ou arroxeado, especialmente na borda da crista onde a coloração pode se mostrar mais vibrante. Esta “bolha” consiste em um saco flutuante com 22 mm a 885 mm de largura por no máximo 29 mm de diâmetro cheio de monóxido de carbono e ar.

Anexos à parte inferior do pneumatóforo das Caravelas-portuguesas, que é o maior dos seus pólipos estão outros três tipos de pólipos especializados, dactilozoóides que formam os longos tentáculos, os gastrozooides que atuam na digestão da Caravela e os gonozooides responsáveis pela sua reprodução.

Os dactilozoóides, que podem atingir vários metros de comprimento (a litura diz que podem atingir até 30 m de comprimento) utilizados para capturar suas presas comportam os cnidócitos, células urticantes onde estão presentes os nematocistos, responsáveis por inocular uma forte toxina composta por substâncias tóxicas, neurotóxicas, necróticas e cardiotóxicas.

Caravela-portuguesa (Physalia physalis) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

BIOLOGIA

A Caravela-portuguesa Vive em alto mar, longe da costa, no plêuston, zona que faz a interface entre a água e o ar, popularmente chamada de superfície, exposta a um conjunto único de condições ambientais, incluindo a exposição prolongada à luz ultravioleta intensa, além das intempéries climáticas e condições agitadas do mar.

A Caravela-portuguesa não possui capacidade de natação e vivem ao sabor das correntes marinhas, das ondas e dos ventos com seus longos tentáculos distendidos na intenção de capturar pequenos peixes dos quais se alimenta. Como vive ao sabor dos ventos, em períodos de ventos muito fortes as Caravelas-portuguesas são arrastadas até a região costeira e por conta das ondulações acabam encalhando em massa e morrendo na areia das praias.

Todos os pólipos de uma Caravela-portuguesa possuem o mesmo sexo e se reproduz liberando os gametas na água exigindo uma certa densidade de indivíduos próximos para que ocorra a fecundação.

A Caravela-portuguesa é um importante item da dieta das tartarugas-marinhas que são imunes à sua toxina. Outro animal que preda as caravelas é o Dragão-azul (Glaucus atlanticus) que não só é imune à sua toxina como é capaz de armazená-la e utilizar a seu favor.

Caravela-portuguesa (Physalia physalis) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DISTRIBUIÇÃO

A Caravela-portuguesa é cosmopolita, ocorrendo nas zonas tropicais e subtropicais entre as latitudes 40ºS e 55ºN de todo o planeta. No Brasil as Caravelas-portuguesas ocorrem em todo o litoral, porém são mais abundantes nas regiões norte e nordeste.

Em Salvador existem registros de encalhes e acidentes em períodos de fortes ventos e temporais em praticamente todas as praias.

STATUS DE CONSERVAÇÃO

Apesar dos eventos de encalhe massivo desse animal nas praias de todo o mundo a Caravela-portuguesa é um animal ainda muito pouco conhecido.

Até o presente momento a Caravela-portuguesa não se encontra classificada sob nenhuma categoria de ameaça, constando com oespécie não avaliada pela IUCN.

RECOMENDAÇÕES E CUIDADOS EM CASO DE ACIDENTES

Apesar de viverem em alto mar e de não possuírem a capacidade de nadar e portanto de se deslocar por conta própria, os fortes ventos e as ondas podem trazer as Caravelas-portuguesas para as praias podendo provocar acidentes através da inoculação da sua toxina em banhistas que por ventura entrem em contato com os seus longos tentáculos.

As principais consequeências da ação da toxina da Caravela-portuguesas no ser humano são a dor intensa, a sensação de quimação, a presença de placas avermelhadas e bolhas na pele. Em casos mais graves podem ocorrer manifestações sistemicas como vômito, náusea, hipotensão arterial, convulsões, arritimia cardíaca, insuficiência respiratória e até mesmo o óbito.

Em caso de acidente, a primeira reação deve ser lavar bem o local com a própria água do mar, sem esfregar e tentar remover cuidadosamente todos os pedaçõs de tentáculos presos ao corpo da vitima.

Se tiver vinagre próximo, utilize sobre a área afetada, também sem esfregar, ele neutraliza os nematocistos evitando novas descargas da toxina no organismo e com isso alivia bastante a dor.

Muitos vão recomendar o uso de urina para avaliar a dor, porém isso é um mito e inclusive pode piorar o quadro.

Evite entrar no mar nos períodos de fortes ventos e como os nematocistos continuam ativos por longos períodos mesmo após a morte do animal, não toque ou tente estourar a “bolha” de Caravelas-portuguesas encontradas na areia da praia a fim de evitar acidentes.

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Autor(es)

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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