A Baleia Jubarte

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae)

  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Cetartiodactyla
  • Subordem: Cetacea
  • Infraordem: Mysticeti
  • Família: Balaenopteridae
Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DESCRIÇÃO

A Baleia Jubarte apresenta caraterísticas bem peculiares, as suas nadadeiras peitorais são extremamente longas medindo em torno de um terço do comprimento total da baleia, possuem uma série de calosidades, conhecidas como tubérculos (folículos pilosos) que se concentram perto dos lábios, no topo da cabeça e no queixo, uma pequena de corcova no dorso onde está situada uma pequena nadadeira dorsal e a borda da nadadeira caudal é recortada. Assim como as demais baleias da sua família, a Jubarte apresenta pregas ventrais na garganta que permitem a sua expansão ao se alimentar.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

As Jubartes adultas porem medir até 17 m de comprimento total e pesar até 40 toneladas, sendo as fêmeas ligeiramente maiores que os machos.

Os filhotes nascem medindo um pouco mais de 4 m e pesando um pouco mais de 650 kg.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) em frente ao bairro da Pituba, Salvador (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

A Jubarte apresenta o dorso preto, o ventre branco, as nadadeiras peitorais brancas com manchas pretas, nadadeira dorsal preta e nadadeira caudal preta no dorso e no ventre apresenta um padrão de manchas que variam de indivíduo para indivíduo, podendo ser este padrão quase totalmente branco ou quase totalmente preto.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

BIOLOGIA

Quando estão nos trópicos as Jubartes são observadas geralmente solitárias ou formando duplas, trios ou grupos competitivos de duração breve formados geralmente por alguns machos em disputa por uma fêmea. Fêmeas com filhotes também podem ser observadas juntas com certa frequência. Quando estão na área de alimentação os grupos podem ser maiores para auxiliar nas estratégias de pesca e alimentação.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

A dieta da Jubarte é das mais variadas entre as baleias, além do krill que representam o principal item da sua dieta, especialmente quado estão nos polos, nos trópicos elas podem se alimentar diversas espécies de peixes, principalmente a espécies de peixes pequenos e que formam extensos cardumes, como as sardinhas.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

A Jubarte é uma espécie migratória capaz de percorrer mais de 25.000 km por ano em seus movimentos de migração. As Jubartes passam os verões nas águas frias em áreas temperadas e polares e no inverno migram para regiões com climas tropicais ou subtropicais para reproduzir.

Filhote de Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) saltando (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

As fêmeas de Jubarte que atingem a maturidade sexual entre os 4 e 7 anos de idade engravidam a cada dois ou três anos e a sua gestação dura em média 11,5 meses, sendo os meses de agosto e setembro os que acontecem o maior número de nascimentos no litoral brasileiro. As fêmeas permanecem com o filhote por um a dois anos.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Não é comum ver baleias durante os mergulhos, porém durante o inverno, mergulhos realizados na costa de Salvador costumam ser ao som dos magníficos cantos das Jubartes.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DISTRIBUIÇÃO

São conhecidas pelo menos sete populações distintas de Jubarte no hemisfério sul.

No Brasil, durante os meses de inverno, a Jubarte pode ser observada por praticamente todo o litoral, desde a costa do Rio Grande do Sul até o Piauí, sendo que a região entre o Banco dos Abrolhos e praia da Forte, na Bahia, incluindo o litoral de Salvador e a baía de Todos os Santos apresenta maior concentração da espécie no período e portanto é considerada a maior área de reprodução da espécie no Oceano Atlântico Sul ocidental.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

STATUS DE CONSERVAÇÃO

A baleia Jubarte foi extremamente caçada no passado chegando quase a ser extinta por volta de 1966 quando restaram menos de 10% da população original de Jubartes no planeta. Em 1986 foi assinada pela maioria dos países que caçavam baleias uma moratória mundial proibindo a caça destes animais e em 1987 o Brasil proibiu a caça destes animais em águas brasileiras.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

No Brasil, na década de 1980 a população de Jubartes não chegava a 800 indivíduos, entre 1996 e 2000 estimava-se que esta população jaestava era em torno de 2.000 indivíduos, número que foi crescendo e hoje estima-se que mais de 14.000 Jubartes frequentam a costa brasileira, numero ainda inferior ao da população original que girava em torno de 25.000 e 30.000 indivíduos.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) com Salvador ao fundo (Foto: Roberto Amarante Costa Pinto)

Considerada ameaçada no Brasil desde 2003 e incluída da classificação de Vulnerável (Vu – Vulnerable) do Livro Vermelha da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção publicado em 2008 pelo ICMBio, com a recuperação da sua população, em 2014 a classificação de ameaça mudou, sendo modificado para a situação de Quase Ameaçada (NT – Near Threatened), porém apesar da população estar em recuperação a sua situação ainda é preocupante frente aos impactos ambientais.

Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae) (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

BALEADAS (Whale watching)

O turismo de observação de baleias (Whale watching), popularmente também chamado de baleada é uma atividade comum nas áreas de concentração de Jubarte e em Salvador não seria diferente, empresas como a Shark Dive Operadora de Mergulho operam saídas para observar esses magníficos animais em ambiente natural dentro dos limites de segurança ideais.

Realizar saídas independentes não devem ser realizadas se não forem seguidas as normas legais (Portaira Nº 116 de 26 de dezembro de 1996, alterada pela Portaria Nº 24 de 8 de fevereiro de 2002) que impõem limites de aproximação exigindo que os motores sejam desengrenados em caso de avistagem de baleias a menos de 100m de distância, proíbem a permanência de uma embarcação por mais de 30 minutos com uma baleia ou um grupo delas, proibindo também qualquer interrupção do curso de uma baleia ou grupo, assim como invadir o grupo, dividi-lo ou dissipá-la.

As Jubartes não são animais agressivos, mas assim como todo o animal, podem se sentir acuadas ou ameaçadas e agir de forma inesperada, assim como, mesmo no seu comportamento tranquilo e normal, uma aproximação pode resultar em um encontrão e são animais grandes e pesados, podem causar sérios problemas à estrutura de qualquer embarcação. Procurem as empresas especializadas.

O Projeto Baleia Jubarte mantém uma relação de instituições de turismo parceiras, que passaram por capacitação e estão aptas a realizar esta atividade com a máxima segurança.

INSTITUTO BALEIA JUBARTE (IBJ)

Não tem como falar da Baleia Jubarte no Brasil e não citar o Instituto Baleia Jubarte (IBJ).

Em 1988 um grupo de pesquisadores fundou o Projeto Baleia Jubarte com o objetivo de estudar e proteger as baleias Jubarte que frequentavam a região do banco dos Abrolhos, sul da Bahia, principal berçário da espécie no Atlântico Sul ocidental.

Em 1996 foi então criado o IBJ com o intuito de gerir o Projeto Baleia Jubarte e logo em seguida o instituto passou a contar com o patrocínio da Petrobrás.

No início dos anos 2000, com o crescimento da população de baleias Jubarte que passaram a ser observadas com maior frequência em outras áreas, o IBJ se instalou na Praia do Forte, litoral norte da Bahia ampliando a sua área de pesquisa.

Em 2019 foi inaugurado o Espaço Baleia Jubarte em Vitória (ES).

Saiba mais sobre o Instituto Baleia Jubarte (IBJ) e suas atividades em baleiajubarte.org.br.


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Autor(es)

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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