A Raia-lixo

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

Raia-lixo (Hypanus guttatus)

  • Classe: Elasmobranchii
  • Ordem: Myliobatiformes
  • Família: Dasyatidae
Raia-lixo (Hypanus guttatus) fotografada no interior da baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DESCRIÇÃO

Esta é uma raia de grande porte que pode atingir até 200 cm de largura do disco que tem forma de diamante, sendo mais largo que comprido.

A coloração geral do disco no dorso é cinza-esverdeado (ou oliváceo) podendo em alguns indivíduos ser mais escuro, amarronzado, e o ventre é mais claro, entre o branco e o branco amarelado.

As principais características desta espécie de raia são o focinho protuberante, pontudo, e uma fileira de pequenos espinhos (ou tubérculos) no meio do dorso.

A cauda da Raia-lixo é comprida e delgada, geralmente mais comprida que o corpo, apresenta uma quilha negra e geralmente um único esporão serrilhado (em raros casos alguns indivíduos podem apresentar mais de um ou mesmo nenhum esporão).

BIOLOGIA

Ocorrendo geralmente até os 35 m de profundidade, a Raia-lixo tem hábito diurno e tem o costume de fuçar o substrato arenoso em busca de pequenos invertebrados e peixes dos quais se alimenta.

A Raia-lixo não costuma ser agressiva com mergulhadores, porém a aproximação deve ser cautelosa uma vez que tanto os espinhos dorsais quanto o esporão possuem toxinas e podem causar lesões sérias nos mergulhadores.

A reprodução da Raia-lixo é ovovivípara, inicialmente os embriões se alimentam exclusivamente do saco vitelino (gema do ovo) e posteriormente sua dieta é enriquecida através de nutrientes absorvidos através de um fluido uterino enriquecido com proteínas, muco e gorduras.

Raia-lixo (Hypanus guttatus) fotografada no interior da baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DISTRIBUIÇÃO

A Raia-lixo ocorre no Atlântico ocidental, do Golfo do México até Santos, no sudeste brasileiro.

A tese de Doutorado da pesquisadora Camila Marion apresentada em 2015 define a Raia-lixo como a espécie de raia mais comumente capturada na baía de Todos os Santos com cerca de 900 toneladas de capturas por ano [1].

Apesar de ser uma das espécies mais comuns na baía de Todos os Santos a Raia-lixo, que também é conhecida como Raia-branca ou Raia-de-focinho é raramente observada nos pontos tradicionais de mergulho, sendo mais comuns nos recifes internos como as Mangueiras, Gaituba, pedra do dentão, Cardinal e outros, onde geralmente é observada na areia próxima aos recifes.

STATUS DE CONSERVAÇÃO

A IUCN define a Raia-lixo como uma espécie carente de informações científicas básicas que auxiliem na determinação do seu status populacional. Pelo mesmo motivo esta espécie também não se encontra classificada sob nenhuma categoria de ameaça pela legislação brasileira.

Como já foi dito, a Raia-lixo sofre com o grande número de capturas na baía de Todos os Santos.

Exemplares jovens já foram encontrados á venda com fins ornamentais.

Eemplar de Raia-lixo (Hypanus guttatus) capturado próximo à foz do rio Paraguassu, no interior da baía de Todos os Santos (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

FONTE

[1] Marion, C. 2015. Função da Baía de Todos os Santos, Bahia, no ciclo de vida da Arraia-branca, Dasyatis guttata (Elasmobranchii: Dasyatidae). Tese de Doutorado, USP, 181pp [PDF]

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Autor(es)

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

About Rodrigo Maia-Nogueira

Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância. Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições. Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI. Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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