As Macroalgas

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

As macroalgas estão entre os organismos mais comuns nos ambientes recifais onde atuam como um dos principais competidores por espaços de substrato consolidado nos ambientes recifais, possuem taxa de crescimento mais elevada que a maioria dos demais organismos competidores, inclusive  colonizando esqueletos ou partes danificadas de algumas colônias de corais, os organismos mais bem adaptados nestas competições, dificultando a sua reação e recuperação.

Padina jamaicensis fotgrafada na Laguna da Conceição (Foto: Rodeigo Maia-Nogueira)

As macroalgas que no Brasil hoje estão representadas por mais de 700 espécies, são as que exercem maior pressão sobre os corais nas competições pelo espaço uma vez que estas possuem poder de abrasão, sombreamento, sobrecrescimento, alelopatia (liberando substâncias tóxicas que desestabilizam a microbiota associada aos corais) ou mesmo atuando como vetores de patologias. As macroalgas Lobophora sp., Dictyota sp., Halimeda sp. e Dictyosphaerida cavernosa por exemplo utilizam a estratégia do sobrecrescimento contra os corais.

Bolhinhas de Dictyosphaeria cavernosa fotografadas na Laguna da Conceição (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

No que diz respeito à competição pelo espaço as algas ainda contam hoje em dia com o reforço dos impactos antropogênicos, como a eutrofização do ambiente que favorece o crescimento e o desenvolvimento das algas além do normal.

Mas nem sempre os efeitos das macroalgas são negativos aos corais, as algas podem fornecer condições de sombreamento que impedem a exposição direta dos corais aos raios solares.

Jardim de Caulerpa sertularioides fotografado na Laguna da Conceição (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Com relação à sua função ecológica e considerando características morfológicas externas e sua anatomia interna as macroalgas são subdividas em três grupos funcionais:

  • Filamentosas, Foliáceas e Folhosas (Em geral mais produtivas e de maior valor energético, porém menos resistentes à perturbações físicas).
  • Cilíndricas ou Ramificadas (moderadas em produtividade em relação à resistência à perturbações físicas).
  • Coriáceas, Calcáreas Articuladas e Calcáreas Incrustantes (em geral menos produtivas e mais resistentes à perturbações físicas).
Halimeda sp. fotografada na Laguna da Conceição (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Com base em suas funções ecológicas as algas também podem ser divididas em dois grandes grupos considerando a sua forma de crescimento e agrupamento:

  • Algas Eretas (que acabam sendo chamas simplesmente por Macroalgas).
  • Turf (“relva”), essa classificação se baseia no fato de que muitas algas ocorrem em habitats fisicamente estressantes sujeitas a herbivoría; Estas algas crescem em agrupamentos coesos.
“Arvorezinhas” de Penicillus sp. fotografadas na Laguna de Conceição (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Com relação a riqueza, as macroalgas calcáreas são as que apresentam maior quantidade de espécies conhecidas para o litoral brasileiro.

Dentre as espécies encontradas em Salvador e na baía de Todos os Santos se destacam:

Halimeda sp. que é especialmente importante no desenvolvimento de recifes devido a sua contribuição de grande quantidade de carbonato de cálcio para o ambiente.

Caulerpa racemosa fotografada no Papa Gente, Praia do Forte (foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Sargassum sp., Padina jamaicensis, Dictyosphaeria cavernosa, Dictyota sp., Penicillus sp., Galaxaura sp. e Caulerpa racemosa são espécies tropicais que atuam como importantes constituintes da floral recifal.

Sa Sargassum sp., Padina jamaicensis, Dictyosphaeria cavernosa, Ventricaria ventricosa, Dictyota sp., Penicillus sp., Caulerpa racemosa e Caulerpa sertularioides são espécies tropicais que atuam como importantes constituintes da floral recifal.

Galaxaura sp. e outras espécies de Rhodophyta são importantes formadoras de ambientes recifais.

Dictyota sp. fotografada no Papa Gente, Praia do Forte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Dictyota sp. fotografada no Papa Gente, Praia do Forte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

As macroalgas, além de atuarem na fotossíntese, algumas fornecerem carbonato de cálcio, abrigo e proteção em ambientes recifais são elementos fundamentais na dieta de organismos de hábito alimentar preferencialmente herbívoro, espécies que conectam a produção primária dos recifes à cadeia trófica, além de atuarem como mediadores nas competições entre algas e corais mantendo a saúde destes ambientes.

Budião-banana (Scarus zelindae) espécie de herbívoro errante (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Dentre os principais herbívoros estão os ouriços, pequenos crustáceos anfípodas e ostracodas, e moluscos gastropodos e quítons ou poliplacóforos, além de algumas espécies de peixes.

Cardume de barbeiros, em especial barbeiros-azuis (Acanthurus coeruleous) espécies de herbívoros errantes (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

As principais espécies herbívoras controladoras de macroalgas nos recifes são os ouriços e em seguida os peixes herbívoros que atuam de duas formas distintas, os territorialistas (Donzelinha, Maria-preta e Gregório) que defendem as algas dentro de um determinado território, das quais se alimenta de forma moderada mantendo sempre as algas vivas e os errantes (Barbeiros, Cirurgiões e Budiões) que formam grandes cardumes e investem massivamente contra áreas de grande concentração de algas.

Maria-preta (Stegastes fuscus) defendendo seu território, popularmente conhecido por “fazendinha de algas” (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Em Salvador e na baía de Todos os Santos as macroalgas podem ser observadas em absolutamente todos os pontos de mergulho.

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