Banco da Panela

O Banco da Panela é um banco de areia em frente ao Porto de Salvador, um local com muita história, palco de muitas batalhas na defesa da cidade por ser considerado um local seguro para ancorar devido a sua baixa profundidade e proximidade com o porto.

Esponjas no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Dados do Ponto de mergulho

  • Localização: Baía de Todos os Santos, aproximadamente 1.000m em frente ao Porto de Salvador.
    • Coordenadas
      • Latitude: -12.964857º
      • Longitude: -38.527397º
  • Profundidades
    • Mínima: 6m.
    • Máxima:10m.
  • Visibilidade média: Geralmente os mergulhos são realizados no Banco da Panela durante as marés de vazante ou enchente onde é feito o drift drive (mergulho em correnteza) e portanto partículas em suspensão na água são comuns e isso reduz um pouco a visibilidade, porém, em geral varia em torno de 5m a 7m, podendo chegar a 10m na horizontal.
  • Distância da costa: aproximadamente 1.000m
  • Tempo de navegação à partir do Porto de Salvador: menos de 10 minutos
  • Nível mínimo de certificação: Avançado. É um local de fortes correntezas e portanto se faz necessário que o mergulhador possua os conhecimentos básicos das técnicas para um drift dive seguro.
  • OBS.: É um excelente ponto para relaxar e deixar a correnteza te levar enquanto você curte as formações, os jardins do Coral-mole-brasileiro (Neospongodes atlanticus) e os vestígios de naufrágios históricos espalhados por todo o banco.
Tricolor (Holacanthus tricolor) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Histórias

O Banco da Panela é um dos maiores sítios arqueológicos do Brasil graças às dezenas de destroços de naus e galeões do século XVII.

Lagosta (Panulirus sp.) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Entre os anos de 1624 e 1649, período das invasões holandesas diversas batalhas ocorreram em frente ao Porto de Salvador, a maioria delas sobre o Banco da Panela que era na época um importante fundeadouro graças a sua baixa profundidade. Neste período mais de 160 embarcações participaram destas batalhas e muitas delas naufragaram no local, existe inclusive um relato de que durante a invasão holandesa, em uma só noite naufragaram 80 embarcações holandesas.

Parus (Pomacanthus paru) adultos no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O Padre Antônio Vieira em 1624 narrou o episódio em uma carta enviada à Ordem dos Jesuítas:

”A Cidade foi iluminada pelo incêndio que os portugueses ateavam nas suas naus para não serem saqueados e sendo noite, as labaredas pareciam tomar grandes proporções quando se espalhavam também pelos açúcares e o breu. As chamas subiam aos céus e a luz clareava o porto ocasionando desta forma o combate”.

Uma das várias enormes ancoras encontradas no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Um pouco antes do período das grandes batalhas, entre 1599 e 1613 o Banco da Panela também foi palco de pequenas combates em tentativas anteriores de invasão por parte dos ingleses e holandeses e pelo menos 16 embarcações também naufragaram no local, e em 1823, durantes as lutas da independência, o porto de Salvador foi bloqueado pela esquadra brasileira e por conta de eventuais batalhas contra os portugueses é possível que algumas das embarcações também tenham ido à pique no local.

Hidroides no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Dentre as embarcações com registro de afundamento na região do Banco da Panela estão: a Nau Holandesa De Silveren Werelt naufragada em 1599, a Nau Portuguesa Nossa Senhora de Jesus naufragada em 1610 e o Galeão Amsterdam naufragado em 1627.

Uma das várias enormes ancoras encontradas no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Descrição do Ponto de Mergulho

Situado em uma área de aproximadamente 860m², distante 1.000m do Porto de Salvador, 500m do Quebra-mar Norte e 400m do Molhe Sul o Banco da Panela é uma elevação no fundo da baía formada pelo acúmulo de areia.

Localização do Banco da Panela na Carta Náutica

O Banco da Panela tem aproximadamente 1.500m de extensão por 700m no trecho mais estreito. O mergulho geralmente tem início em uma das boias de sinalização em direção à boia oposta em um percurso de aproximadamente 1.200m.

Jovem Borboleta (Chaetodon striatus) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

No topo do banco a profundidade mínima é de 6m e máxima de 10m e ao redor, no fundo de areia, cai para 13m a 18m.

Octocoral (Carijoa riisei) entre esponjas no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O ponto sofre bastante com ações das correntezas e por isto, aliado à sua importância histórica e peculiaridade cênica (jardins de corais-mole) é considerado um dos melhores pontos para a prática do Drift dive na baía de Todos os Santos.

Colônia de Tunicados no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Biodiversidade

O topo do banco é todo colonizado por esponjas, octocorais, hidroides, algas, tunicados e diversos outros organismos bentônicos sésseis, em especial o Coral-mole-brasileiro (Neoesopongodes atlanticus) que forma verdadeiros, vastos e belos jardins.

Jardim de Coral-mole-brasileiro (Neoespongodes atlanticus) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Algas calcarias (Rodophyta) também são comuns, porém em pequenos fragmentos, sem formar recifes.

Pequeno fragmento de Rodophyta no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Dentre os invertebrados móveis a aranha-do-mar (Stenorhynchus seticornis) é o mais abundante, porém alguns camarões-palhaço (Stenopus hispidus) e lagostas (Panulirus spp.) também são observados entre as pequenas formações rochosas.

Camarão-palhaço (Stenopus hispidus) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O peixe mais abundante, como em quase todos os pontos de mergulho de Salvador e da baía de Todos os Santos é a Quatinga (Haemulon aurolineatum) que pode ser observado em pequenos cardumes onde tem alguma concentração rochosa. Parus (Pomacanthus paru) e Frades (Pomacantus arcuatus) também são observados com frequência e os adultos destas espécies podem inclusive ser observados em cardume misto. Outros peixes abundantes são o Porquinho (Stephanolepis spp.), o Barriga-branca (Serranus flaviventris) e o Amboré-vidro (Coryphopterus glaucofraenum), porém diversas outras espécies também podem ser observadas no local.

Quatingas (Haemulon aurolineatum) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Montastraea cavernosa no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Peixe-dardo (Ptereleotris randalli) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Esponja no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Barbeiro (Acanthurus bahianus) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
Porquinho (Stephanolepis sp.) no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Apesar de ser um local próximo da costa e dos pontos de fundeio de grandes embarcações, talvez por conta das fortes correntezas este é um ponto de mergulho livre de lixo marinho de origem doméstica, porém as pequenas estruturas rochosas ou formadas por Rodophyta acabam servindo de armadilha para petrechos de pesca perdido.

Restos de cabos e de rede de pesca perdido no Banco da Panela (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
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