O Baba de Boi

A Biota Aquática da baía de Todos os Santos e costa Atlântica de Salvador, Bahia

Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum)

  • Classe: Anthozoa
  • Ordem: Actinaria
  • Família: Zoantharia
Área com cobertura vasta de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) no naufrágio do Germânia e Bretagne, Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

DESCRIÇÃO

O Baba-de-boi é um cnidario colonial sem estrutura rígida calcarea de coloração que varia entre o amarelo e o marrom. Os pólipos tem duas fileiras de tentáculos curtos.

Área com cobertura vasta de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) no naufrágio do Maraldi, Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O Baba-de-boi recebe o seu nome popular devido ao muco abundante e viscoso produzido pelos seus pólipos quando expostos na maré baixa e que tem a função de proteger a colônia contra a dessecação pela exposição uma vez que não possui a capacidade de reter água.

Área com cobertura vasta de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) bem próximo à praia no Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

BIOLOGIA

O Baba-de-boi como os demais organismos da Ordem Zoantharia é uma espécie não construtora (não possuem esqueleto calcareo), porem incorpora partículas de sedimento nos seus tecidos.

Colônias de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) sobre os destroços do naufrágio do Maraldi, Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O Baba-de-boi e alimenta de fito e zooplâncton que captura com os tentáculos dos seus pólipos, porém também apresentam simbiose com Zooxantelas das quais se beneficiam da fotossíntese (absorvem açúcares e outros nutrientes) e portanto exigem incidência de luz para sobreviver.

Zona de tensão entre uma colônia de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) e outro zoantídeo (Zoanthus sp.) no Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo maia-Nogueira)

Excelente competidor, o Baba-de-boi costuma dominar os ambientes onde ocorre matando ou inibindo o crescimento dos seus concorrentes através de investidas físicas utilizando os seus tentáculos ou através de investidas químicas, além de ter uma taxa de crescimento relativamente alta (11cm²/mês). A toxina do Baba-de-boi, a Palytoxina, é uma das mais potentes conhecidas, sendo considerada uma das moléculas biologicamente ativas mais potentes, e portanto é uma forte arma na competição pelo território.

Colônia de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) próxima a uma colônia do Coral-de-fogo (Millepora sp.) no Quebra-Mar Norte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Dentre os corais comuns em nossas águas que podem ser suprimidos elo Baba-de-boi em uma competição estão as espécies dos gêneros Favia, Meandrina, Siderastrea, Montastraea e Millepora, além de outros zoantideos, esponjas e algas.

Colônia do Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) registrada no Quebra-mar Norte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

O Baba-de-boi compõe a dieta da Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), o Poliqueta-de-fogo (Hermodice carunculata), ouriços e algumas espécies de peixes como o Sargentinho (Abudefduf saxatilis), o Parú (Pomacantbus paru), o Frade (Pomacanthus arcuatus), o Borboleta (Chaetodon striatus), o Ciliares (Holacanthus ciliaris), entre outros. Os predadores do baba-de-boi, ao se alimentarem dele armazenam Palytoxina nos tecidos.

Colônia de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) sendo “observada” por um Macaquinho (Ophioblenniuis trinitatis) sobre a caldeira do naufrágio do Maraldi (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira).

DISTRIBUIÇÃO

O Baba-de-boi é comum nos ambientes recifais ao longo do Atlântico Ocidental ocorrendo desde o Sul da Flórida (EUA) até Santa Catarina (BR), sendo particularmente abundante em águas brasileiras ocorrendo em locais rasos que podem ficar exposto na maré baixa até águas mais profundas, com 15m de profundidade.

Colônias de baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) sobre os destroços do naufrágio do Germânia e Bretagne, Parque Marinho da Barra (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Em Salvador e na baía de Todos os Santos o Baba-de-boi pode ser encontrado em todos os pontos de mergulho costeiros, especialmente no Parque Marinho da Barra, Marco Polo, Yacht Clube da Bahia, Costão Rochoso da Vitória, Molhe Sul, Quebra-mar Norte e Corais da Boa Viagem, incluindo os Naufrágios do Maraldi, do Germânia e Bretagne, e do Blackadder.

Enorme pedra com cobertura vasta de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) no Quebra-mar Norte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

STATUS DE CONSERVAÇÃO

O Baba-de-boi não se encontra listado sob nenhuma categoria de ameaça.

Detalhes de uma colônia de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) registrada no Yacht Clube da Bahia (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Por ser uma espécie filtradora o Baba-de-boi acumula em seu organismo metais pesados absorvidos do substrato e da coluna d´água.

Colônias de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) registradas nos Corais da Boa Viagem (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)

Por apresentar simbiose com zooxantelas o Baba-de-boi também sofre nos eventos de branqueamento, sendo inclusive umas das espécies indicadora do evento, uma vez que é uma das primeiras espécies a sofrerem o branqueamento.

Área com cobertura vasta de Baba-de-boi (Palythoa caribaeorum) no Quebra-mar Norte (Foto: Rodrigo Maia-Nogueira)
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Autor(es)

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Mergulhador e apaixonado pelos oceanos desde a infância.
Desde a década de 1990 está envolvido em ações e pesquisas relacionadas com a biota aquática, tendo sido coordenador de resgate do Centro de Resgate de Mamíferos Aquáticos (CRMA) do Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA) e fundador do Centro de Pesquisa e Conservação dos Ecossistemas Aquáticos (Biota Aquática) e do EcoBioGeo Meio Ambiente & Mergulho Científico, e ao longo dos anos participou de projetos de pesquisa e de consultoria na ambiental em parceria com diversas instituições.
Também atua como instrutor de mergulho SDI e PADI.
Tem como objetivo, além de produzir informação de qualidade fomentar o reconhecimento e a qualificação dos mergulhadores científicos.

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